Monteiro Lobato, a 4 de julho de 1948 .
O escritor está em sua mesa de trabalho, respondendo a uma carta de seu grande amigo Godofredo Rangel, sem imaginar que esta seria a derradeira.
Godofredo, em sua última carta a Lobato, sugere que este escreva suas memórias, mas o escritor argumenta em sua resposta, que não vê motivos para isso. Lobato acha que amargou muitos insucessos em sua vida, não vendo por quê revivê-los agora. Mas, como que para provar ao amigo seu ponto-de-vista, começa a narrá-los, desde seus fracassos escolares até suas empreitadas como promotor público, industrial, fazendeiro, editor, jornalista, etc...
À medida que Lobato descreve os fatos, tentando mostrar ao seu amigo a falta de sentido em contar suas memórias, os personagens, tanto os que realmente existiram, quanto os que ele inventou, vão surgindo em seu quarto. Inicialmente assustado, o escritor logo se acostuma à idéia, considerando-a mais um de seus devaneios literários.
Como que voltando no tempo, Lobato passa sua vida a limpo, travando com seus personagens as discussões que promoveu em vida com tanto empenho e paixão, tendo sempre o Brasil como meta principal.
Suas criações não se limitam, contudo, a obedecer as ordens de seu criador. Elas interferem no rumo dos fatos, sempre mostrando o lado positivo de cada aventura ( ou desventura ) vivida por Lobato. As vezes, até brigam com ele, quando se consideram injustiçados pela narrativa. Dessa forma, real e imaginário confundem-se a todo momento.
A cada aventura vivida, no entanto, o pessimismo se apossa de Lobato, que insiste em considerar-se um perdedor. Suas criações, porém, conseguem sempre reverter a situação, dando-lhe forças para seguir adiante.
Os fatos são narrados de forma cronológica até que Lobato se dá por vencido. Concorda, finalmente, em escrever suas memórias, se convencendo de que tem um bom legado a deixar. Mas, antes de terminar sua última carta ao seu grande amigo Godofredo, ele decide repousar um pouco. Foram muitas aventuras para um homem na sua idade. Neste momento, seus personagens se colocam ao redor de seu leito. Cansado, mas feliz e recompensado, ele faz também a sua “ Viagem ao Céu ”, encarando a morte como mais um devaneio literário, como mais um vôo de sua imaginação. É a sua " Redenção pelo Sonho ".
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